A Aplicação dos Sistemas de Inspeção Visual na Indústria
A indústria moderna se guia por requisitos de qualidade cada vez mais exigentes.
Para atender a estas demandas, os sistemas de inspeção por visão artificial tem se tornado a ferramenta preferida para inspecionar lotes de milhares de peças sem os inconvenientes da inspeção visual humana.
Um sistema de inspeção visual compõe-se basicamente de uma câmera digital industrial, sistema de iluminação e interfaces de comunicação com o controlador do processo (CLP) e, eventualmente, um computador.
A nova tecnologia de inspeção não se faz mais por comparação com padrões, mas por análise da imagem, pixel a pixel. Os softwares que permitem esta análise estão a cada dia mais poderosos e incluem ferramentas que possibilitam alocar critérios de avaliação para definir as características a ser avaliadas. Inspeções de múltiplas características em alta velocidade são hoje corriqueiras graças às constantes inovações no software, o qual se aproxima cada vez mais da capacidade humana para identificar detalhes e fazer avaliações da condição de uma peça.
Além da verificação da presença/ausência de ítens ou características, os modernos sistemas de inspeção visual também podem ler caracteres (OCR – Optical Character Reading), códigos de barras e data matrix, fazer medições dimensionais com precisão, guiar robôs e executar algoritmos matemáticos como auxílio ao processo de inspeção.
Um sistema de inspeção visual raramente se constitui apenas de uma câmera, a iluminação e seu módulo de entradas e saídas. Na maioria das aplicações, é necessário integrar subsistemas mecânicos para manipulação e movimentação da peça, separação automática das peças rejeitadas e, em aplicações mais sofisticadas, um sistema computacional para registro das inspeções e emissão de relatórios, visualização de estatísticas de produção, entre outros.
Cada sistema deve ser configurado para atender ao requisito específico da aplicação, não havendo uma única solução para todos os casos.
Os usuários devem, portanto, avaliar juntamente com o integrador estes aspectos quando da contratação de um projeto. Normalmente, os integradores fazem testes prévios na peça a ser inspecionada, procurando determinar a iluminação mais adequada e o hardware que atende à necessidade.
Esta avaliação prévia é, portanto, parte integrante de um bom projeto de implantação de um sistema de inspeção visual.
Deve-se ressaltar também que a instalação de sistemas de inspeção visual automáticos nas linhas de produção influenciam a cultura da organização. Defeitos que antes eram ignorados ficam em evidência quando o sistema começa a rejeitar peças não-conformes. Isto costuma trazer desconfortos entre o pessoal de produção e o de de controle de qualidade, situação que deve ser analisada caso a caso para se determinar a conveniência – ou não – de rever os critérios (parâmetros) de inspeção.
Além dos aspectos da qualidade do produto, há que considerar também os aspectos de marketing quando se implanta um sistema de inspeção visual automático na fábrica. Muitos usuários gostam de mostrar a seus clientes este tipo de sistemas de inspeção, pelo inegável aspecto positivo que os mesmos agregam ao processo de produção e à imagem institucional do fabricante.
Antes de se constituir, porém, em uma solução milagrosa, os sistemas de inspeção visual devem ser compreendidos como uma ferramenta a mais para a garantia da qualidade dos produtos. A máquina de inspeção visual automática não resolve os problemas de qualidade, mas se insere no processo de melhoria ao auxiliar os engenheiros de processo a identificá-los e iniciarem os procedimentos de correção.
Neste caso, homem e máquina devem juntar esforços para que os produtos tenham, cada vez mais, um grau de confiabilidade à altura das exigências de uma indústria cada vez mais cobrada pela qualidade daquilo que produz.
Nívio Fialho
Engenheiro Eletrônico
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Boa tarde.
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at.
Edgar Melo